DR. ORLANDO JORGE MARTINS TORRES

  • Professor Titular e Chefe do Serviço de Cirurgia do Aparelho Digestivo
  • Chefe do Serviço de Transplante de Fígado
    Hospital Universitário Presidente Dutra
    Universidade Federal do Maranhão - UFMA
  • Cirurgia Oncológica do Aparelho Digestivo
  • Cirugia do Fígado, Pâncreas e Vias biliares
  • Cirurgia Videolaparoscópica

Câncer de Pâncreas

As lesões que acometem o pâncreas pode ser classificadas em císticas e sólidas. Podem também ser definidos como benignas, borderline (potencial maligno) e malignos. As mais comuns lesões cística do pâncreas são o cistoadenoma seroso, cistoadenoma mucinoso, neoplasia mucinosa papilar intraductal (também conhecida como IPMN, sigla em inglês) e neoplasia sólido-cística pseudopapilar (também conhecido como Tumor de Frantz). Destas, apenas o cistoadenoma seroso é classificado como  baixo potencial de malignidade, as outras três apresentam potencial de malignidade variado e necessitam ser avaliados por cirurgião com experiência em cirurgia do pâncreas. Esta avaliação deve incluir sexo, idade, sintomas, localização da lesão, tamanho da lesão, entre outros.

Os exames de imagem (tomografia, ressonância nuclear magnética, ecoendoscopia, por exemplo) são fundamentais para o diagnóstico e planejamento cirúrgico. Algumas vezes o líquido do cisto precisa ser coletado (por ecoendoscopia) e enviado para análise para complementar o diagnóstico. O tratamento ccirúrgico pode consistir em pancreatectomia corpo-caudal (a cauda e parte do corpo do pâncreas é retirado), pancreatectomia central (menos comum, onde o corpo do pâncreas é retirado), ou duodenopancreatectomia (onde é retirado a cabeça do pâncreas, duodeno, uma pequena parte do jejuno, uma pequena parte do estômago, vesícula e a parte distal do canal da bile).

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Entre as lesões sólidas que podem acometer o pâncreas temos o tumor neuroendócrino (conhecido também como pNET) e o adenocarcinoma (particularmente o adenocarcinoma ductal). Na primeira, algumas avaliações devem ser feitas (tamanho, localização, doença fora do pâncreas (metástases), para definição da forma de tratamento. O adenocarcinoma ductal é o câncer de comportamento mais agressivo que acomete o pâncreas. Diversos fatores estão relacionados à doença (genéticos, familiares, tabagismo, diabetes, obesidade, pancreatite crônica, entre outros). O paciente pode se apresentar com perda de peso, cansaço, icterícia (olhos amarelos), sensação de dor em peso, entre outros sintomas. O diagnóstico pode ser feito a partir dos sintomas, através dos exames de imagem (tomografia, ressonância, colangiorressonância, ecoendoscopia, etc), exames laboratoriais (marcadores tumorais).

Uma investigação cuidadosa deve ser realizada para definir a ressecabilidade ( se é possível retirar o câncer), se tem doença fora do pâncreas (metástase, ascite, etc), se tem vasos envolvidos (veia porta, veia mesentérica, artérias, etc). Pela característica da doença e pela complexidade da operação, todos os pacientes que apresentam esta neoplasia devem ser acompanhados por cirurgião com experiência em cirurgia do pâncreas. A cirurgia (duodenopancreatectomia, por exemplo, para os tumores localizados na cabeça do pâncreas) é a única forma de tratamento para se alcançar a finalidade curativa neste tipo de câncer (associada à quimioterapia). Requer um adequado preparo pré-operatório e um cuidado pós-operatório (que normalmente acontece em uma unidade de terapia intensiva). Da mesma forma devem ser acompanhados continuamente com o cirurgião e sua equipe.

 

Neste site você pode encontrar artigos (em trabalhos publicados) e aulas referentes a estes temas. Estas informações também podem ser encontradas no livro “Cirurgia de fígado, pâncreas e vias biliares” de nossa autoria, publicado pela editora Rubio (www.rubio.com.br).